En la grupa de la memoria, en el silencio del corazón, es cuando buscando en la balice de la vida se acomodan nuestras historias...

martes, 20 de diciembre de 2011

Memória Genética

Nem sempre um elogio, cresci ouvindo que eu era como você.
Vi você fazer flores. Suas mãos arquitetavam sonhos de seda, de tecido. Do ferro quente, criava pétalas de muitas cores. Ainda hoje inspiro o cheiro da cola, o pólen de farinha, a tinta amarela.
Te vi costurar. Muito. Desenhava moda, combinava tecidos e cores. Me vestia com diferentes modelos. Estilizava criações de vanguarda, encarnava em manequins fantasias da imaginação.
Me contam dos vestidos lindos que fazia para tantos bailes, tantas moças.
Você lia. Muito. Eram pequenos seus livros. Policiais e farwest. Livros de bolso com os quais viajava sentada no sofá da nossa sala, horas a fio, tardes e dias e anos.
Você falava pouco e contava muitas histórias. Percorria a fazenda onde seu pai era administrador, deslizava pelas pontes da cavalaria, sonhava com os soldadinhos de chumbo, guerreava uma guerra de castas, de raças, de ilusão. Moinhos de vento, vidros no chão.
Era elegante. Me lembro sua boca sempre pintada, espelho, reflexo, frustração. Sua roupa alinhada, com o tempo desalinhando-se em sua velhice.
Me diziam que eu parecia com você.
Você pedalava a engenhoca que tecia sua vida, as calças dos netos, as camisas do genro, em sua casa, que nunca foi sua.
Repenso suas escolhas, suas decisões mal tomadas, seu rumo mal traçado, sua vida tão pouco sua.
Imagino as oportunidades que perdeu. Tanto talento, tão pouco proveito.
Me pergunto se foi feliz, no seu mundo tão pouco seu.
Relembro você se encurvando em sua velhice ensimesmada.
Você assobiava sem fazer som, um pequeno vento que soprava.
Um dia, você olhou pra dentro e se esqueceu de tudo. Procurava recordações que já não eram suas. Despossuída de sua história, você se perdeu e não me reconheceu.
Me reconheciam em você. Um gesto, um jeito de olhar.
Outro dia me apanhei fazendo vento com a boca que assobiava sem emitir som.
Hoje acredito que me pareço com quem você foi um dia.


Memoria Genética

Ni siempre un elogio, crecí oyendo que era como tú.
Te vi hacer flores. Tus manos arquitectaban sueños de seda, de tela. Del hierro caliente creaba pétalos de muchos colores. Aún hoy inspiro el olor del pegamento, el polen de harina, el tinte amarillo. 
Te vi coser. Mucho. Diseñaba  moda, combinaba telas y colores. Me vestía con diferentes modelos. Estilizaba creaciones de vanguardia en maniquíes fantasías de imaginación.
Me cuentan de los lindos vestidos que hizo para tantos bailes, tantas jóvenes.
Tu leía. Mucho. Eran pequeños tus libros. Policiacos y de farwest. Libros de bolsillo, con los cuales viajaba sentada en el sofá de nuestra sala, por largas horas, tardes y días y años..
Tú hablabas poco y contaba muchas historias. Recorría la hacienda donde tu padre era el administrador, resbalaba por los puentes de la caballeriza, soñaba con los soldaditos de plomo, guerreaba una guerra de castas, de razas, de ilusión. Molinos de viento, vidrios en el piso.
Era elegante. Me acuerdo tu boca siempre pintada, espejo, reflejo, frustración. Tu ropa aliñada, con el tiempo se desaliñando en tú viejez.
Me decían que me parecía a ti.
Tú pedaleabas el aparato que tecía tu vida, los pantalones de los nietos, las camisas Del yerno, en tu casa, que nunca fue tuya.
Repienso tus elecciones, tus decisiones mal tomadas, tu rumbo mal planeado, tu vida tan poco tuya.

Imagino las oportunidades que perdió. Tanto talento, tan poco provecho.
Me pregunto si fue feliz, en tu mundo tan poco tuyo.
Recuerdo de ti te encorvando en tu viejez ensimismada.
Tú silbabas sin hacer sonido, un pequeño viento que soplaba.
Un día, tú miraste hacia adentro y te olvidaste de todo. Buscaba recuerdos que ya no eran tuyos. Desposeída de tu historia, tú te perdiste y no me reconoció.
Me reconocían en ti. Un gesto, la manera de mirar.
Otro día, me caché haciendo viento con la boca que silbaba sin emitir sonido.
Hoy creo que me parezco con quién un día fuiste tú.

lunes, 5 de diciembre de 2011

A mulher de um olho só // La mujer de un solo ojo

Ela sempre usava venda em um dos olhos. Cada dia, a venda era de uma cor, de acordo com a roupa que usava e conforme a energia que sentia ao levantar-se pela manhã. Se o dia era de esperança colocava roupa verde e venda da mesma cor. Se estava triste, encarnava um amarelo, que combinava com o amarelo "surton" da venda. Irritada, assumia o vermelho e o olho também enrubrescia.
Um dia perguntei o que tinha acontecido com seu olho sempre tapado. Era cega? Tinha sofrido algum acidente? Olho furado, catarata, de vidro? Não tinha olho?
Nao, ela nao era cega, ela só não podia, não conseguia ver o mundo com os dois olhos. Ela me garantiu que só precisava um pouquinho da vista que Deus lhe tinha dado, para ver o mínimo, o necessário. Com dois olhos, ela acreditava, veria muito, veria demasiado, seria muita visão, muita percepcão. Tudo seria duplo, o sofrimento, a miséria humana, as diferenças e as desigualdades. Os tons e as nuances das cores seriam demasiado fortes. Ela não suportaria a dose dupla de vida, prefiriu a sobriedade de apenas uma visão.

La mujer de solo un ojo

Ella siempre usaba venda en uno de los ojos. Cada día, la venda era de un color, de acuerdo con la ropa que vestía y conforme la energía que sentía al levantarse por la mañana. Si el día era de esperanza colocaba ropa verde y venda del mismo color. Si estaba triste, encarnaba un amarillo, que combinaba con el amarillo "surton" de la venda. Irritada, asumía el rojo y el ojo también ruborizaba.
Un día pregunté lo que tenía pasado con su ojo siempre tapado. ¿Seria ciega? ¿Tenía sufrido algún accidente?¿Ojo roto, catarata, de vidrio? ¿No tenía ojo?
No, ella no era ciega, ella solo no podía, no conseguía ver el mundo con los dos ojos. Ella me garantizó que solo necesitaba un poquito de la vista que Dios le había dado, para ver el mínimo,el suficiente. Con dos ojos, ella creía, vería demasiado, seria mucha visión, mucha percepción. Todo sería doble, el sufrimiento, la miseria humana, las diferencias y las desigualdades. Los tonos y los matices de los colores serían demasiado fuertes. Ella no soportaría la dosis doble de la vida, prefirió la sobriedad de a penas una visión.

domingo, 4 de diciembre de 2011

A Mente // La Mente

Contemplei essa máquina tão complexa de infinitas ligações, comunicações intermináveis e ágeis, completamente vinculadas, mas também independentes, transmitindo sensações e emoções, todas nossas razões e ilusões. Um grande agrupamento de imagens guardado em uma pequena caixa de mil ferramentas, atividades e utilidades. Pedaços de vida, de movimentos, de maquinações. Arquivo infinito, sem limite, sem descanso. Porta-sonhos, porta-lembranças, porta-fantasias da imaginação. Guarda planos, sementes de recordações que um dia serão memória. Aparato contundente da vida, da absoluta certeza da independência e privacidade humana. Intrincado conjunto de cabos elétricos, fibras óticas, sensíveis e inteligentes. Gravador, impressor, que computa a dor, a esperança, alegrias, a vida, a morte. Potência natural, utillizada parcialmente, com informações arquivadas e disponíveis, prontas a serem acessadas com clareza, ordem e funçao. Caixa de Pandora, muitas vezes incontrolável, criadora de ilusões, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de loucura, de razão, de sabedoria, de confusão. De medos, sonhos e pesadelos.
Mas ao contemplá-la também vi essa máquina falhar. Vi o sofrimento da perda da memória, da aceleração do esquecimento, do arquivo morrendo. Vi suas desordenadas desconexões, suas luzes se apagarem e as interatividades desvincularem-se. Percebi a luta da alma por manter as recordações armazenadas. Ouvi as lembranças de toda a vida agonizando. Escutei os números, as letras, as canções e as histórias despencarem de suas estantes, organizadas em setores próprios, em nichos enumerados, conectados por condutores técnicos e especializados que iam falhando, apagando-se, esfumaçando-se, dissipando-se em uma paralisia torpe, triste e decadente. Vi seu brilho falecer, morrendo o corpo e a alma, pedaços de sua existência soberana e autônoma, mas dependente da natureza e do tempo que soa indiferente e inabalável.
Sofri por sua fragilidade terrena e animal, tão incapaz de superar-se e sobreviver sozinha.
Descobri que mente a mente humana por acreditar ser tanto.


La Mente


Contemplé esa máquina tan compleja de infinitas ligaciones, comunicaciones interminables y ágiles, completamente vinculadas, pero también independientes, transmitiendo sensaciones y emociones, todas nuestras razones e ilusiones. Un gran agrupamiento de imagines guardado en una pequeña caja de mil herramientas, actividades e utilidades. Pedazos de vida, de movimientos, de maquinaciones. Archivo infinito, sin limite, sin descanso. Porta-sueños, porta-recuerdos, porta-fantasias de la imaginacion. Guarda planos, semillas que un día serán memoria. Aparato contundente de la vida, de la absoluta certeza de la independencia y privacidad humana. Intrincado conjunto de cabos eléctricos, fibras ópticas, sensibles e inteligentes. Grabador, impresor, que computa y dora el dolor, la esperanza, alegrías, la vida, la muerte. Potencia natural, utilizada parcialmente, con informaciones archivadas y disponibles, listas para acceder con claridad, orden y función. Caja de Pandora, muchas veces incontrolable, creadora de ilusiones, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de locura, de razón, de sabiduría, de confusión. De miedos, sueños y pesadillas.
Pero al contemplarla también vi esa máquina fallar. Vi el sufrimiento de la perdida de la memoria, de la aceleración del olvido, del archivo muriendo. Vi sus desordenadas desconexiones, las luces se apagaren, las interactividades se desvincularen. Noté la lucha del alma por mantener los recuerdos almacenados. Los oí agonizando toda una vida. Escuché los números, las letras, las canciones y las historias se derribaren de sus estantes, organizadas en sectores propios, en nichos enumerados, conectados por conductores técnicos y especializados que iban fallando, se apagando, se esfumando, se disipando en una parálisis torpe, triste y decadente. Vi su brillo fallecer, muriendo el cuerpo y el alma, pedazos de su existencia soberana y autónoma, pero dependiente de la naturaleza y del tiempo que suena indiferente y inquebrantable.
Sufri por su fragilidad terrena y animal, tan incapaz de superarse y sobrevivir sola.
Descubrí que miente la mente humana por creerse tanto.

jueves, 1 de diciembre de 2011

Desilusão 2 // Desilusión 2

Você me pede para explicar o impossivel. Quer ver o que não há. Coisas que existem apenas em seu mundo de formas inexatas, que perdeu a órbita e gira contra o sentido natural dos planetas estáveis dessa louca galáxia que é a vida. Você quer entender, mas perdeu o tempo de tua própria rotação. Te entrego, em minhas mãos, a esperança no concerto dos astros, do céu imenso e infinito. Te digo que receba a paz que harmoniza o universo. Te falo que fomos feitos para sermos um, respirando a mesma atmosfera. Você resiste, não suporta o futuro duvidoso, prefere o passado amargo e infrutífero das frustraçoes humanas. Você escuta o moinho dos ventos que sopra e grita palavras moídas ensurdecendo com ecos os morros ao redor de nós. Nós apertados que sufocam tua garganta antes de que acredite no amor que ofereço a você.

Desilusión 2

Tú me pides para explicarte el imposible. Quiere ver lo que no hay. Cosas que existen a penas en tu mundo de formas inexactas, que perdió la órbita y gira contra el sentido natural de los planetas estables de esa loca galaxia que es la vida. Tu quieres entender, pero perdiste el tiempo de tu propia rotación. Te entrego, en mis manos, la esperanza en el concierto de los astros, del cielo inmenso y infinito. Te digo que recebas la paz que armoniza el universo. Te hablo que fuimos hechos para ser uno, respirando la misma atmosfera. Tu resistes, no soporta el futuro dudoso, prefiere el pasado amargo e infructífero de las frustraciones humanas. Tú escuchas el molino de los vientos que sopla y grita palabras molidas ensordeciendo con ecos los cerros al rededor de nosotros. Nudos apretados que sufocan tu garganta antes de que acredites en el amor que ofrezco a ti.