Contemplei essa máquina tão complexa de infinitas ligações, comunicações intermináveis e ágeis, completamente vinculadas, mas também independentes, transmitindo sensações e emoções, todas nossas razões e ilusões. Um grande agrupamento de imagens guardado em uma pequena caixa de mil ferramentas, atividades e utilidades. Pedaços de vida, de movimentos, de maquinações. Arquivo infinito, sem limite, sem descanso. Porta-sonhos, porta-lembranças, porta-fantasias da imaginação. Guarda planos, sementes de recordações que um dia serão memória. Aparato contundente da vida, da absoluta certeza da independência e privacidade humana. Intrincado conjunto de cabos elétricos, fibras óticas, sensíveis e inteligentes. Gravador, impressor, que computa a dor, a esperança, alegrias, a vida, a morte. Potência natural, utillizada parcialmente, com informações arquivadas e disponíveis, prontas a serem acessadas com clareza, ordem e funçao. Caixa de Pandora, muitas vezes incontrolável, criadora de ilusões, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de loucura, de razão, de sabedoria, de confusão. De medos, sonhos e pesadelos.
Mas ao contemplá-la também vi essa máquina falhar. Vi o sofrimento da perda da memória, da aceleração do esquecimento, do arquivo morrendo. Vi suas desordenadas desconexões, suas luzes se apagarem e as interatividades desvincularem-se. Percebi a luta da alma por manter as recordações armazenadas. Ouvi as lembranças de toda a vida agonizando. Escutei os números, as letras, as canções e as histórias despencarem de suas estantes, organizadas em setores próprios, em nichos enumerados, conectados por condutores técnicos e especializados que iam falhando, apagando-se, esfumaçando-se, dissipando-se em uma paralisia torpe, triste e decadente. Vi seu brilho falecer, morrendo o corpo e a alma, pedaços de sua existência soberana e autônoma, mas dependente da natureza e do tempo que soa indiferente e inabalável.
Sofri por sua fragilidade terrena e animal, tão incapaz de superar-se e sobreviver sozinha.
Descobri que mente a mente humana por acreditar ser tanto.
La Mente
Contemplé esa máquina tan compleja de infinitas ligaciones, comunicaciones interminables y ágiles, completamente vinculadas, pero también independientes, transmitiendo sensaciones y emociones, todas nuestras razones e ilusiones. Un gran agrupamiento de imagines guardado en una pequeña caja de mil herramientas, actividades e utilidades. Pedazos de vida, de movimientos, de maquinaciones. Archivo infinito, sin limite, sin descanso. Porta-sueños, porta-recuerdos, porta-fantasias de la imaginacion. Guarda planos, semillas que un día serán memoria. Aparato contundente de la vida, de la absoluta certeza de la independencia y privacidad humana. Intrincado conjunto de cabos eléctricos, fibras ópticas, sensibles e inteligentes. Grabador, impresor, que computa y dora el dolor, la esperanza, alegrías, la vida, la muerte. Potencia natural, utilizada parcialmente, con informaciones archivadas y disponibles, listas para acceder con claridad, orden y función. Caja de Pandora, muchas veces incontrolable, creadora de ilusiones, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de locura, de razón, de sabiduría, de confusión. De miedos, sueños y pesadillas.
Pero al contemplarla también vi esa máquina fallar. Vi el sufrimiento de la perdida de la memoria, de la aceleración del olvido, del archivo muriendo. Vi sus desordenadas desconexiones, las luces se apagaren, las interactividades se desvincularen. Noté la lucha del alma por mantener los recuerdos almacenados. Los oí agonizando toda una vida. Escuché los números, las letras, las canciones y las historias se derribaren de sus estantes, organizadas en sectores propios, en nichos enumerados, conectados por conductores técnicos y especializados que iban fallando, se apagando, se esfumando, se disipando en una parálisis torpe, triste y decadente. Vi su brillo fallecer, muriendo el cuerpo y el alma, pedazos de su existencia soberana y autónoma, pero dependiente de la naturaleza y del tiempo que suena indiferente y inquebrantable.
Sufri por su fragilidad terrena y animal, tan incapaz de superarse y sobrevivir sola.
Descubrí que miente la mente humana por creerse tanto.


No hay comentarios:
Publicar un comentario
Comentarios