En la grupa de la memoria, en el silencio del corazón, es cuando buscando en la balice de la vida se acomodan nuestras historias...

martes, 20 de diciembre de 2011

Memória Genética

Nem sempre um elogio, cresci ouvindo que eu era como você.
Vi você fazer flores. Suas mãos arquitetavam sonhos de seda, de tecido. Do ferro quente, criava pétalas de muitas cores. Ainda hoje inspiro o cheiro da cola, o pólen de farinha, a tinta amarela.
Te vi costurar. Muito. Desenhava moda, combinava tecidos e cores. Me vestia com diferentes modelos. Estilizava criações de vanguarda, encarnava em manequins fantasias da imaginação.
Me contam dos vestidos lindos que fazia para tantos bailes, tantas moças.
Você lia. Muito. Eram pequenos seus livros. Policiais e farwest. Livros de bolso com os quais viajava sentada no sofá da nossa sala, horas a fio, tardes e dias e anos.
Você falava pouco e contava muitas histórias. Percorria a fazenda onde seu pai era administrador, deslizava pelas pontes da cavalaria, sonhava com os soldadinhos de chumbo, guerreava uma guerra de castas, de raças, de ilusão. Moinhos de vento, vidros no chão.
Era elegante. Me lembro sua boca sempre pintada, espelho, reflexo, frustração. Sua roupa alinhada, com o tempo desalinhando-se em sua velhice.
Me diziam que eu parecia com você.
Você pedalava a engenhoca que tecia sua vida, as calças dos netos, as camisas do genro, em sua casa, que nunca foi sua.
Repenso suas escolhas, suas decisões mal tomadas, seu rumo mal traçado, sua vida tão pouco sua.
Imagino as oportunidades que perdeu. Tanto talento, tão pouco proveito.
Me pergunto se foi feliz, no seu mundo tão pouco seu.
Relembro você se encurvando em sua velhice ensimesmada.
Você assobiava sem fazer som, um pequeno vento que soprava.
Um dia, você olhou pra dentro e se esqueceu de tudo. Procurava recordações que já não eram suas. Despossuída de sua história, você se perdeu e não me reconheceu.
Me reconheciam em você. Um gesto, um jeito de olhar.
Outro dia me apanhei fazendo vento com a boca que assobiava sem emitir som.
Hoje acredito que me pareço com quem você foi um dia.


Memoria Genética

Ni siempre un elogio, crecí oyendo que era como tú.
Te vi hacer flores. Tus manos arquitectaban sueños de seda, de tela. Del hierro caliente creaba pétalos de muchos colores. Aún hoy inspiro el olor del pegamento, el polen de harina, el tinte amarillo. 
Te vi coser. Mucho. Diseñaba  moda, combinaba telas y colores. Me vestía con diferentes modelos. Estilizaba creaciones de vanguardia en maniquíes fantasías de imaginación.
Me cuentan de los lindos vestidos que hizo para tantos bailes, tantas jóvenes.
Tu leía. Mucho. Eran pequeños tus libros. Policiacos y de farwest. Libros de bolsillo, con los cuales viajaba sentada en el sofá de nuestra sala, por largas horas, tardes y días y años..
Tú hablabas poco y contaba muchas historias. Recorría la hacienda donde tu padre era el administrador, resbalaba por los puentes de la caballeriza, soñaba con los soldaditos de plomo, guerreaba una guerra de castas, de razas, de ilusión. Molinos de viento, vidrios en el piso.
Era elegante. Me acuerdo tu boca siempre pintada, espejo, reflejo, frustración. Tu ropa aliñada, con el tiempo se desaliñando en tú viejez.
Me decían que me parecía a ti.
Tú pedaleabas el aparato que tecía tu vida, los pantalones de los nietos, las camisas Del yerno, en tu casa, que nunca fue tuya.
Repienso tus elecciones, tus decisiones mal tomadas, tu rumbo mal planeado, tu vida tan poco tuya.

Imagino las oportunidades que perdió. Tanto talento, tan poco provecho.
Me pregunto si fue feliz, en tu mundo tan poco tuyo.
Recuerdo de ti te encorvando en tu viejez ensimismada.
Tú silbabas sin hacer sonido, un pequeño viento que soplaba.
Un día, tú miraste hacia adentro y te olvidaste de todo. Buscaba recuerdos que ya no eran tuyos. Desposeída de tu historia, tú te perdiste y no me reconoció.
Me reconocían en ti. Un gesto, la manera de mirar.
Otro día, me caché haciendo viento con la boca que silbaba sin emitir sonido.
Hoy creo que me parezco con quién un día fuiste tú.

lunes, 5 de diciembre de 2011

A mulher de um olho só // La mujer de un solo ojo

Ela sempre usava venda em um dos olhos. Cada dia, a venda era de uma cor, de acordo com a roupa que usava e conforme a energia que sentia ao levantar-se pela manhã. Se o dia era de esperança colocava roupa verde e venda da mesma cor. Se estava triste, encarnava um amarelo, que combinava com o amarelo "surton" da venda. Irritada, assumia o vermelho e o olho também enrubrescia.
Um dia perguntei o que tinha acontecido com seu olho sempre tapado. Era cega? Tinha sofrido algum acidente? Olho furado, catarata, de vidro? Não tinha olho?
Nao, ela nao era cega, ela só não podia, não conseguia ver o mundo com os dois olhos. Ela me garantiu que só precisava um pouquinho da vista que Deus lhe tinha dado, para ver o mínimo, o necessário. Com dois olhos, ela acreditava, veria muito, veria demasiado, seria muita visão, muita percepcão. Tudo seria duplo, o sofrimento, a miséria humana, as diferenças e as desigualdades. Os tons e as nuances das cores seriam demasiado fortes. Ela não suportaria a dose dupla de vida, prefiriu a sobriedade de apenas uma visão.

La mujer de solo un ojo

Ella siempre usaba venda en uno de los ojos. Cada día, la venda era de un color, de acuerdo con la ropa que vestía y conforme la energía que sentía al levantarse por la mañana. Si el día era de esperanza colocaba ropa verde y venda del mismo color. Si estaba triste, encarnaba un amarillo, que combinaba con el amarillo "surton" de la venda. Irritada, asumía el rojo y el ojo también ruborizaba.
Un día pregunté lo que tenía pasado con su ojo siempre tapado. ¿Seria ciega? ¿Tenía sufrido algún accidente?¿Ojo roto, catarata, de vidrio? ¿No tenía ojo?
No, ella no era ciega, ella solo no podía, no conseguía ver el mundo con los dos ojos. Ella me garantizó que solo necesitaba un poquito de la vista que Dios le había dado, para ver el mínimo,el suficiente. Con dos ojos, ella creía, vería demasiado, seria mucha visión, mucha percepción. Todo sería doble, el sufrimiento, la miseria humana, las diferencias y las desigualdades. Los tonos y los matices de los colores serían demasiado fuertes. Ella no soportaría la dosis doble de la vida, prefirió la sobriedad de a penas una visión.

domingo, 4 de diciembre de 2011

A Mente // La Mente

Contemplei essa máquina tão complexa de infinitas ligações, comunicações intermináveis e ágeis, completamente vinculadas, mas também independentes, transmitindo sensações e emoções, todas nossas razões e ilusões. Um grande agrupamento de imagens guardado em uma pequena caixa de mil ferramentas, atividades e utilidades. Pedaços de vida, de movimentos, de maquinações. Arquivo infinito, sem limite, sem descanso. Porta-sonhos, porta-lembranças, porta-fantasias da imaginação. Guarda planos, sementes de recordações que um dia serão memória. Aparato contundente da vida, da absoluta certeza da independência e privacidade humana. Intrincado conjunto de cabos elétricos, fibras óticas, sensíveis e inteligentes. Gravador, impressor, que computa a dor, a esperança, alegrias, a vida, a morte. Potência natural, utillizada parcialmente, com informações arquivadas e disponíveis, prontas a serem acessadas com clareza, ordem e funçao. Caixa de Pandora, muitas vezes incontrolável, criadora de ilusões, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de loucura, de razão, de sabedoria, de confusão. De medos, sonhos e pesadelos.
Mas ao contemplá-la também vi essa máquina falhar. Vi o sofrimento da perda da memória, da aceleração do esquecimento, do arquivo morrendo. Vi suas desordenadas desconexões, suas luzes se apagarem e as interatividades desvincularem-se. Percebi a luta da alma por manter as recordações armazenadas. Ouvi as lembranças de toda a vida agonizando. Escutei os números, as letras, as canções e as histórias despencarem de suas estantes, organizadas em setores próprios, em nichos enumerados, conectados por condutores técnicos e especializados que iam falhando, apagando-se, esfumaçando-se, dissipando-se em uma paralisia torpe, triste e decadente. Vi seu brilho falecer, morrendo o corpo e a alma, pedaços de sua existência soberana e autônoma, mas dependente da natureza e do tempo que soa indiferente e inabalável.
Sofri por sua fragilidade terrena e animal, tão incapaz de superar-se e sobreviver sozinha.
Descobri que mente a mente humana por acreditar ser tanto.


La Mente


Contemplé esa máquina tan compleja de infinitas ligaciones, comunicaciones interminables y ágiles, completamente vinculadas, pero también independientes, transmitiendo sensaciones y emociones, todas nuestras razones e ilusiones. Un gran agrupamiento de imagines guardado en una pequeña caja de mil herramientas, actividades e utilidades. Pedazos de vida, de movimientos, de maquinaciones. Archivo infinito, sin limite, sin descanso. Porta-sueños, porta-recuerdos, porta-fantasias de la imaginacion. Guarda planos, semillas que un día serán memoria. Aparato contundente de la vida, de la absoluta certeza de la independencia y privacidad humana. Intrincado conjunto de cabos eléctricos, fibras ópticas, sensibles e inteligentes. Grabador, impresor, que computa y dora el dolor, la esperanza, alegrías, la vida, la muerte. Potencia natural, utilizada parcialmente, con informaciones archivadas y disponibles, listas para acceder con claridad, orden y función. Caja de Pandora, muchas veces incontrolable, creadora de ilusiones, de verdades mentirosas, de realidades fantasiosas, de locura, de razón, de sabiduría, de confusión. De miedos, sueños y pesadillas.
Pero al contemplarla también vi esa máquina fallar. Vi el sufrimiento de la perdida de la memoria, de la aceleración del olvido, del archivo muriendo. Vi sus desordenadas desconexiones, las luces se apagaren, las interactividades se desvincularen. Noté la lucha del alma por mantener los recuerdos almacenados. Los oí agonizando toda una vida. Escuché los números, las letras, las canciones y las historias se derribaren de sus estantes, organizadas en sectores propios, en nichos enumerados, conectados por conductores técnicos y especializados que iban fallando, se apagando, se esfumando, se disipando en una parálisis torpe, triste y decadente. Vi su brillo fallecer, muriendo el cuerpo y el alma, pedazos de su existencia soberana y autónoma, pero dependiente de la naturaleza y del tiempo que suena indiferente y inquebrantable.
Sufri por su fragilidad terrena y animal, tan incapaz de superarse y sobrevivir sola.
Descubrí que miente la mente humana por creerse tanto.

jueves, 1 de diciembre de 2011

Desilusão 2 // Desilusión 2

Você me pede para explicar o impossivel. Quer ver o que não há. Coisas que existem apenas em seu mundo de formas inexatas, que perdeu a órbita e gira contra o sentido natural dos planetas estáveis dessa louca galáxia que é a vida. Você quer entender, mas perdeu o tempo de tua própria rotação. Te entrego, em minhas mãos, a esperança no concerto dos astros, do céu imenso e infinito. Te digo que receba a paz que harmoniza o universo. Te falo que fomos feitos para sermos um, respirando a mesma atmosfera. Você resiste, não suporta o futuro duvidoso, prefere o passado amargo e infrutífero das frustraçoes humanas. Você escuta o moinho dos ventos que sopra e grita palavras moídas ensurdecendo com ecos os morros ao redor de nós. Nós apertados que sufocam tua garganta antes de que acredite no amor que ofereço a você.

Desilusión 2

Tú me pides para explicarte el imposible. Quiere ver lo que no hay. Cosas que existen a penas en tu mundo de formas inexactas, que perdió la órbita y gira contra el sentido natural de los planetas estables de esa loca galaxia que es la vida. Tu quieres entender, pero perdiste el tiempo de tu propia rotación. Te entrego, en mis manos, la esperanza en el concierto de los astros, del cielo inmenso y infinito. Te digo que recebas la paz que armoniza el universo. Te hablo que fuimos hechos para ser uno, respirando la misma atmosfera. Tu resistes, no soporta el futuro dudoso, prefiere el pasado amargo e infructífero de las frustraciones humanas. Tú escuchas el molino de los vientos que sopla y grita palabras molidas ensordeciendo con ecos los cerros al rededor de nosotros. Nudos apretados que sufocan tu garganta antes de que acredites en el amor que ofrezco a ti.

miércoles, 30 de noviembre de 2011

O tecido que não era // La tela que no era

A gaiola que encontrei aberta, eu sabia, já não receberia os pássaros, aliança e testemunho de fidelidade entre os casais prometidos. Eles jamais voltariam, você havia partido.
A áurea branca, suave e cálida do seu lenço, me abraçava como a brisa que sopra o mar de tantas águas. E eu me acocorava ali na praia, à espreita das ondas que enchiam meus olhos com esperança de alcançar a margem do outro lado, no horizonte oriente tão redondo quanto o sol que se afoga no fim da tarde. Seu mergulho intenso me alagava os pensamentos e me trazia à memória aquela noite estranha em que você, desejando se entregar, doou o que possuia entre paredes finas de papel de arroz, que nos brindava com a discrição de sua transparência. Te amei como se amam os amantes apaixonados, mas escondido, fingindo ser o que não era. Em seu jogo de espelhos, transpirei a rapidez do sonho, que ao despertar deixa de ser. Ainda guardo sua mensagem cifrada em letras miúdas, tatuadas no peito com tinta e sangue, e regresso à vida quase sem fôlego, vestindo a quase inexistência da leveza da seda cor da pele.

Inspirado no conto Seda, de Alessandro Baricco


La tela que no era

La jaula que encontré abierta, lo sabía, ya no recibiría los pájaros, alianza y testigo de la fidelidad entre las parejas prometidas. Ellos jamás volverían, tu habías partido. El resplandor blanco, suave y cálido de tu rebozo, me abrazaba como la brisa que sopla el mar de tantas aguas. Y de cuclillas ahí en la playa, acechaba las olas que llenaban mis ojos con esperanza de alcanzar el margen del otro lado, en el horizonte oriente tan redondo cuanto el sol que se ahoga en el fin de la tarde. Su buceo intenso me inundaba los pensamientos y me traía a la memoria aquella noche extraña en que tú, deseando entregarte, donó lo que poseía entre paredes finas de papel de arroz, que nos brindaba con la discreción de su transparencia. Te ame como se aman los amantes enamorados, pero a las escondidas, fingiendo ser lo que no era. En tu juego de espejos, transpire la rapidez del sueño, que al despertar deja de ser. Todavía guardo tu mensaje cifrado en letras pequeñas, tatuadas en el pecho con tinte y sangre, y regreso a la vida casi sin aliento, vistiendo la casi inexistencia de la ligereza de la seda color de la piel.

Inspirado en el cuento Seda, de Alessandro Baricco

martes, 29 de noviembre de 2011

Carta ao meu pai // Carta a mi padre

Hoje você me levou ao mundo que construiu. Parte da minha história, mas mérito todo seu.
Olho ao redor e constato o seu esforço, convicção e confiança no homem visionário que vive dentro de você, que sempre te levou adiante, nos momentos mais difíceis, quando, muitas vezes, ninguém acreditava, eram apenas você e ele, caminhando sempre juntos.
Sei que durante todos esses anos de construção muito de você foi roubado, assim como também roubou de mim a sua presença, o seu carinho. Muito aprendi sozinho, porque você não estava para me ensinar, mas hoje vejo que também aprendi com sua ausência. Aprendi a perseverança que vi em você. Aprendi o sacrifício próprio para conquistar para o outro. Aprendi o amor pelo trabalho e pela honestidade. Aprendi a honra e a fé.
Hoje, ao ver teu mundo chorei. Chorei porque enquanto você construía, também tive a oportunidade de acompanhar de perto com a mão no cimento do alicerce que você me ensinou a mesclar. Encontrei entre os corredores já gastos pelo tempo, minha pegada quase apagada. Chorei de alegria e de orgulho.
Te comparei aos teus amigos que hoje não estão bem como você, não tiveram a mesma garra, a mesma crença em si mesmo. Tive orgulho de ser teu filho, orgulho por você ser meu pai.
Obrigada pai, por esse passeio à sua história, para ver a obra de suas mãos.
Obrigada por reforçar em mim a esperança de acreditar no futuro, acreditar em mim, nas raízes que você fincou e eu pude me firmar.
Obrigada pai, por ser um homem a quem posso seguir.

Carta a mi padre

Hoy me llevaste a ver el mundo que construiste. Parte de mi historia, pero mérito todo tuyo.
Miro al rededor y constato tu esfuerzo, convicción y confianza en el hombre visionario que vive dentro de ti, que siempre te ha llevado adelante, en los momentos más difíciles, cuando, muchas veces, nadie te creía, eran a penas tú y él, caminando siempre juntos.
Sé que durante todos eses años de construcción mucho te fue robado, así como también me robó a mí tu presencia, tu cariño. Mucho aprendí solo, porque tú no estabas para enseñarme, pero hoy veo que también aprendí con tu ausencia. Aprendí la perseverancia que vi en ti. Aprendí el sacrificio propio para conquistar para el otro. Aprendí el amor por el trabajo y por la honestidad. Aprendí el honor y la fe.
Hoy, al ver tu mundo lloré. Lloré porque en cuanto construías, también tuve la oportunidad de acompañar de cerca con la mano en el cemento de los aliceres que me enseñaste a mezclar. Encontré entre los pasillos ya gastados por el tiempo, mis huellas casi apagadas. Lloré de alegría y de orgullo.
Te comparé a tus amigos que hoy no están bien como tú, pues no tuvieron la misma gana, la misma creencia en uno mismo. Tuve orgullo de ser tu hijo, orgullo de que seas mi padre.
Gracias papá, por ese paseo a tu historia, donde pude ver la obra de tus manos.
Gracias por reforzar en mi la esperanza de creer en el futuro, de creer en mi, en las raíces que tu hincaste y yo pude firmarme.
Gracias, papá por ser un hombre a quién puedo seguir.




lunes, 28 de noviembre de 2011

Tricô // Tejido de Lana

O novelo se entrega às agulhas e linhas em fios entrelaçados formando uma estranha rede. De ponto em ponto traduz em linguagem a vida em si mesma. Forma labirintos perdidos, entremeios e caminhos distintos, atalhos perfeitos em traçados de cirurgião, como fantasias nas linhas da mão, Laçadas encruzilhadas como ciladas em construção. O molde, tecido crescendo, incorpora a figura do próprio artesão. Toma forma y ganha vida como se fosse ilusão. Costurados os braços, bainha, gola e bolso, é um retrato mudo da forma humana sem cara, sem olhos ou mãos. A expressão do silêncio e da solidão.

Tejido de Lana

El ovillo se entrega a las agujas e hilos en trenzas formando una extraña red. De punto en punto traduce en lenguaje la vida en si misma. Forma laberintos perdidos, entremedios y caminos distintos, atajos perfectos en trazados de cirujano como disfraces en las líneas de la mano. Lazadas encrucijadas como trampas en construcción. El molde, tejido creciendo, incorpora la figura del artesano. Toma forma y gana vida como si fuera ilusión. Cocidos los brazos, bastilla, cuello y bolsillo, era un retrato mudo de la forma humana sin cara, sin ojos o manos. La expresión del silencio y de la soledad.

O tempo passou e Alice não viu... // El tiempo pasó Y Alice no lo vió...

Já era noite e Alice esperava o coelho. Fez-se dia e Alice esperava o coelho. Passava o tempo e o coelho não vinha. Alice adormeceu e se esqueceu.
O despertador tocou e Alice acordou com o coelho gritando e correndo do outro lado do jardim: "É tarde! É tarde! É tarde, é muito tarde! Ai, ai, meu Deus, ai, ai meu Deus é tarde, muito tarde!"

El tiempo pasó y Alice no lo vió...
Ya era noche y Alice esperaba el conejo. Se hizo día y Alice esperaba el conejo. Pasaba el tiempo y el conejo no venia. Alice adormeció y se olvidó.
El despertador sonó y Alice se despertó con el conejo gritando y corriendo del otro lado del jardín: "Es tarde! Es tarde! Es tarde, es mucho tarde! Ai, ai, mi Dios, ai, ai mi Dios es tarde, mucho tarde!"

O arquiteto da escrita // El arquitecto de la escrita

A liberdade de ser, de escrever, de receber, de doar. Soar palavras, desenhar letras, pintar imagens, iluminar olhos e ouvidos. Plantar sementes, colher as flores. Arrancar os frutos, comer em cores, a casca, a polpa, o suco. Arco-Íris de inúmeros matizes que esconde o tesouro do futuro, do passado, do sonho e da esperança. No horizonte, tantos prismas, cristais e ametistas. Girassol, roda mundo, roda gigante, roda vida.
Livre traço na ampulheta do tempo. Roda céu, veios azuis, rajadas de vento. Na cara, no cabelo, no ventre.
Gravidez em espera. Gestação do desconhecido. Geração de histórias inconscientes, conhecidas e ouvidas.
Imaginação e ilustração. Fruta verde, madura. Sabor amarelo, vermelho desejo, rosa descanso. Tinta que tinge com sangue que corre em cada veia, disparada pelo coração.

El arquitecto de la escrita

La libertad de ser, de escribir, de recibir, de donar. Sonar palabras, dibujar letras, pintar imágenes, iluminar ojos y oídos. Plantar semillas, cosechar las flores. Arrancar los frutos, comer en colores la cascara, la pulpa, el jugo. Arco-Iris de inúmeros matices que esconde el tesoro del futuro, del pasado, del sueño y de la esperanza. En el horizonte, tantos prismas, cristales y ametistas. Girasol, rueda mundo, rueda gigante, rueda vida.
Libre trazo en el reloj de arena del tiempo. Rueda cielo, venos azules, rajadas de viento. En la cara, en el cabello, en el vientre.
Embarazo en espera. Gestación del desconocido. Generación de historias inconscientes, conocidas y oídas.
Imaginación e ilustración. Fruta verde, madura. Sabor amarillo, rojo deseo, rosa descanso. Tinte que tiñe con la sangre que corre en cada vena, disparado por el corazón.

domingo, 27 de noviembre de 2011

Amor Eterno

Saudade dos teus olhos claros como o mar tranquilo, como o céu sobre minha cabeça. Saudade do farol que brilha para eu caminhar, me deixando clara a direção a seguir, protegida da escuridão que fica do outro lado do mundo, do qual já não fazemos parte, porque nos completamos.
Saudade dos teus braços fortes que me envolvem com o amor dos sonhos encantados, que poucos podem vive-lo.
Saudade de nossas conversas, em horas de sesta, ao som da bossa de nossas origens.
Saudade do vinho que sorvemos juntos, entrelaçados braços e pernas, sob a lua e as estrelas de nosso jardim.
Saudade da tua doçura estampada em teu sorriso de dentes perfeitos, de tua cã que envelhece comigo, do teu peito largo de nossa história marcado, de teu abraço, de teu carinho.
Espero por teu regresso, de volta ao nosso descanso cúmplice que contam nossas histórias, lembranças na mesma memória, em que somos um. Eu, seqüestrada pelo personagem grego, recriado através de tantas lendas, para ser sua amada, companheira eterna, até que alcancemos novos horizontes de um lugar sem fim.

Amor Eterno
Saudade de tus ojos claros como el mar tranquilo, como el cielo sobre mi cabeza. Saudade del faro que brilla para que yo camine, dejando claro la dirección a seguir, protegida de la oscuridad que se queda del otro lado del mundo, de lo cual ya no hacemos parte, porque nos completamos.
Saudade de tus brazos fuertes que me envuelven con el amor de los sueños encantados, que pocos pueden vivirlo.
Saudade de nuestras conversaciones, en horas de siesta, al sonido de la bosa de nuestras orígenes.
Saudade del vino que sorbemos juntos, entrelazados brazos y piernas, bajo la luna y las estrellas de nuestro jardín.
Saudade da tu dulzura estampada en tu sonrisa de dientes perfectos, de tu cana que envejece conmigo, de tu pecho ancho de nuestra historia marcado, de tu abrazo, de tu cariño.
Espero por tu regreso, de vuelta a nuestro descanso cómplice que cuentan nuestras historias, recuerdos en la misma memoria, en que somos uno. Yo, secuestrada por la personaje griega, recreada a través de tantas legendas, para ser su amada, compañera eterna, hasta que alcancemos nuevos horizontes de un lugar sin fin.

sábado, 26 de noviembre de 2011

O primeiro amor // El primer amor

Me trouxe um par de rosas vermelhas como o sangue ou o amor, como a toca de Chapéuzinho, ou como o sol em um dia de fúria quente. Disse que gostava de mim e que se apaixonou em algum instante qualquer, em algum lugar onde já tínhamos nos encontrado antes. Em minha fragilidade infantil me surpreendi nervosa, ansiosa e um pouco tonta, não daquela tontura que parece que falta o chão, mas a tontura que nos leva a fazer coisas que não faríamos, a dizer o que jamais diríamos, a ter vários braços, várias pernas, várias mãos e pés.
Então respondi que também gostava de você, mas que mal te conhecia e que era cedo para que me enamorasse ou fosse tua namorada.
Aceitei um refresco de limão, ácido como a dúvida no estômago, como a incerteza do que aconteceria depois. Você quis pagá-lo e eu resisti. Não estou acostumada a ser namorada.
Aceitei também suas rosas com vontade de guardá-las para sempre na memória de um livro fechado, que as secaria, roubando-lhes a vida, mas oferecendo ao futuro uma de minhas melhores recordações.
De noite, em meu quarto de menina, com espelhos e muitas cores, sossego o coração emocionado em doces sonhos.

El primer amor


Me trajiste un par de rosas rojas como la sangre o el amor, como la gorra de Caperucita,  o como el sol en un día de furia caliente. Me dijiste que te gustaba y que te enamoraras de mi en algún instante cualquiera, en algún lugar donde ya nos habíamos encontrado antes. En mi fragilidad infantil me sorprendí nerviosa, ansiosa y un poco mareada, no de aquel mareo que parece que falta el piso, pero el mareo que nos lleva a hacer cosas que no haríamos, a decir lo que jamás diríamos, a tener varios brazos, varias piernas, varias manos y pies.
Entonces te respondí que a mi también me gustabas, pero que a penas te conocía y que era temprano para que me enamorara o fuese tu novia.
Acepté un refresco de limón, ácido como la duda en el estómago, como la incertidumbre de lo que sucedería después. Tú quisieras pagarlo, pero resistí. No estoy acostumbrada a ser novia.
Acepté también sus rosas con ganas de guardarlas para siempre en la memoria de un libro cerrado, que las secaria, robándoles la vida, pero ofreciéndo  al futuro uno de mis mejores recuerdos.
En la noche, en mi cuarto de niña, con espejos y muchos colores, asosiego el corazón emocionado en dulces sueños.

Sobrevivência // Supervivencia

Estava seca como a terra sem chuva. Seus galhos esticavam-se para alcançar o vazio do ar. Solitária, na paisagem deserta, já tingida de amarelo palha, sofria seus apuros, incansável. Respirava a sofreguidão do espaço impávido, indiferente, e insistentemente voltava a tentar. O rio que corria a muitos metros ao longe, lhe provocava a sede já insaciável. Resistia, aterrada ao solo, sem poder para mover nenhuma raiz, que crescendo e estalando seus próprios nós, buscava o último lençol esquecido pela natureza já quase morta. Mas em sua surpreendente luta por viver, brotavam brancas, alvas, lívidas e soberanas como mãos espalmadas, suas flores - recompensa da vida, da superação, sua própria existência exaurida, mas jamais desistida.

Supervivencia 

Estaba seca como la tierra sin lluvia. Sus ramas se estiraban para alcanzar el vacío del aire. Solitaria, en el paisaje desierto,  ya teñidos de amarillo color de paja, sufría sus apuros, incansable. Respiraba la codicia del espacio impávido, indiferente, e insistentemente volvía al intento. El río que corría a muchos metros a lo lejos, le provocaba la sed, ahora ya insaciable. Resistía, aterrada al suelo, sin poder mover ninguna raíz, que creciendo y chasqueando sus propios nudos, buscaba la última sábana olvidada por la naturaleza ya casi muerta. Pero en su sorprendente lucha por vivir, brotaban blancas, albas, lívidas y soberanas como manos espalmadas, sus flores - recompensa de la vida, de la superación, su propia existencia agotada, pero jamás desistida.


Adolescência // Adolescencia

Meus braços pareciam mais longos do que deveriam ser. Meu espelho refletia minhas pernas magras. Esbarrava nas coisas como se meu corpo já não fosse meu. Um corpo que teimava em esticar de um dia para o outro, a cada noite enquanto dormia.
Uma vez, ouvi que as pessoas crescem enquanto dormem. Então, eu imaginava meus membros aumentando, aumentando, como Alice no País das Maravilhas quando tomou o chá na toca do coelho, pra logo depois, encolher e encolher, como quando ela queria passar pelo buraco da fechadura para sair daquele sonho, que mais parecia um pesadelo. E na minha vida real, na manhã seguinte, este corpo encontraria o tamanho exato para o uso daquele dia, em que eu, novamente, sem ter noção das medidas alcançadas, esbarraria nas coisas e derrubaria o copo de suco mais uma vez sobre a tolha limpa que tinha sido estendida para outra refeição em família, quando minha mãe, mais uma vez, iria brigar comigo porque eu era "uma desastrada" e porque não prestava atenção em nada!
E de novo, diante do meu espelho, que projetava meu futuro, eu lhe perguntava quando minhas formas seriam mais redondas como as das garotas mais velhas da escola, com seus jeans bem justos e camisetas que mostravam seus seios firmes e bonitos, que eu também queria ter. Quando eu seria graciosa, com mais quadril, com coxas torneadas, com seios maiores?
Prendia o cabelo e o soltava novamente. Sonhava em ser bonita e mais velha, em ter um namorado que me trouxesse flores, que me levasse a passear de moto, que me escrevesse poesias, que fosse apaixonado por mim.
Espelho, espelho meu, quem vai ser meu namorado?
As conversas no recreio e na saída da escola.  As meninas, os meninos, as paqueras, as trocas de olhar, a vontade de esconder-me quando os olhos se cruzavam, o desejo de ser a mais bonita, a mais popular, aquela que todos queriam namorar.
De volta à casa, à mesa do almoço, o suco derramado, a bronca de minha mãe, a ausência de meu pai, a briga com minha irmã, a adolescência perturbadora, como aquela espinha que insistia em sair bem no meio da testa sem nenhuma intenção de desaparecer, como o monstro que se esconde dentro do armário e que de noite vem te assustar, fazendo ruído nos papéis que ficaram sobre a escrivaninha, depois de uma tarde de tarefas.
As aulas de piano, as escalas insistentes de dó a dó, em toda sua extensão automática, sistemática e obrigatória.
De esquina em esquina, contando os quarteirões, enquanto caminhava até o conservatório, onde me esperavam a harmonia dos sonhos, o solfejo das palavras desejadas, a tessitura dos meus braços crescidos que queriam abraçar o mundo.
O calor forte do sol sobre minha cabeça acalentando pensamentos, planos, estações passadas e que ainda viriam.
De amarelinha em amarelinha, pelas calçadas de pedrinhas, a calma do fim da tarde, os passarinhos voltando aos ninhos, aos galhos das árvores. As andorinhas, não mais solitárias, que voando em bando cobriam o céu em um jogo alado de ser muitas em uma só, em um mesmo desenho, uma mesma canção, a mesma direção.
"Olha que coisa mais linda, que vem e que passa, é ela menina que vem e que passa, num doce balaço a caminho da escola", cantavam ao violão estudantes de uma república qualquer, parodiando a "Garota de Ipanema", no meio do meu caminho. A coisa mais linda era eu, espelho, espelho meu?!
À noite, um recomeço, um novo sono, com velhos sonhos.
A cabeça nas fronhas limpas de algodão de um travesseiro recheado de esperanças, onde o céu não poderia ser o limite. Na cama, os braços teimando obstinadamente em crescer, assim como as pernas, e no outro dia, teriam outro tamanho, outra estatura, novas dimensões, até que eu me acostumasse a ser grande e, contendo os gestos, já não fosse mais estabanada e não derramasse mais nada com um esbarrão da minha comprida mão ou das pernas desengonçadas de uma adolescente em expansão.


Adolescencia

Mis brazos parecían más largos de lo que deberían ser. Mi espejo reflejaba mis piernas delgadas. Rozaba en las cosas como si mi cuerpo ya no fuera mío. Un cuerpo que persistía en estirarse de un al otro día, a cada noche en cuanto dormía.
Una vez escuché que las personas crecen mientras duermen. Así que imaginaba mis miembros aumentando, aumentando, como Alicia en el País de las Maravillas cuando tomó el té en la madriguera del conejo, para luego encogerse y encogerse, como cuando ella debería de pasar por el ojo de la cerradura para salir de aquel sueño, que más bien parecía una pesadilla. Y en mi ivida real, en la mañana siguiente, mi cuerpo encontraba el tamaño exacto para el uso de aquel día, que yo, otra vez, sin el conocimiento de las medidas alcanzadas, tropezaba en las cosas y derribaba el vaso de jugo, de nuevo, en la toalla extendida sobre la mesa para otra comida en familia, cuando mi madre, otra vez, me regañaba por ser tan "torpe" y porque no prestaba atención a nada!
Y nuevamente, frente a mi espejo, proyecto de mi futuro, le preguntaba cuando mis formas serían más redondeadas como las de las chavas más grandes de la escuela, con sus pantalones de mezclilla ajustados y playeras que enseñaban sus senos firmes y hermosos, que yo también quería tener. ¿Cuándo sería más elegante, con caderas más anchas, con muslos bien formados, con los senos más grandes?
Dime espejito! Le imploraba.
Recojo mi pelo y lo suelto otra vez. Sueño con ser hermosa y más grande, y en tener un novio que me trajera flores, que me llevara a andar en motocicleta, que me escribiera poesías y que estuviera enamorado de mí.¿Espejo, espejito, quién va a ser mi novio?
Las conversaciones en el recreo y después de la escuela. Las niñas, los niños, las ligas, los intercambios de miradas, la gana de esconderme cuando los ojos se cruzaban, el deseo de ser la más bonita, la más popular, con la que todos quisieran andar.
De vuelta a la casa, en la mesa de la comida, el jugo derramado, el regaño de mi madre, la ausencia de mi padre, la pelea con mi hermana, la adolescencia inquietante como la espinilla que insistía en aparecer bien en el centro de la frente, sin ninguna intención de desaparecer, como el monstruo que se guarda en el armario y de allá sale para asustar en la noche, haciendo ruido con los papeles dejados sobre el escritorio, después de una tarde de tareas.
Las lecciones de piano, las escalas insistentes de C a C, en toda su extensión automática, sistemática y obligatoria.
De esquina en esquina iba contando los bloques mientras caminaba hacia el conservatorio, donde me esperaban la armonía de los sueños, el solfeo de las palabras deseadas, la tesitura de mis brazos crecidos que querían abrazar el mundo.
El fuerte calor del sol sobre mi cabeza calentando mis pensamientos, los planes, las últimas temporadas y las que aún vendrían.
De rayuela en rayuela por las aceras de guijarros en la tranquilidad del fin de la tarde, los pajarillos que regresaban a sus nidos en las ramas de los árboles. Las golondrinas, no más solitarias, volaban en bandas y cubrían el cielo en un juego de muchas alas como se fueran una sola, en un solo diseño, una sola canción y una sola dirección.
"Mira que cosa hermosa y llena de gracia es esa chica que viene y que pasa en un dulce caminar hacia la escuela", cantaban la parodia de la Chica de Ipanema en la guitarra, unos chavos de una casa cualquiera en el medio del camino. ¿La cosa más hermosa era yo, espejo, espejito mio?
Por la noche un nuevo comienzo y nuevamente a dormir los viejos sueños. La cabeza en las fundas limpias de algodón de una almohada rellena de esperanzas, donde el cielo no podría ser el límite. En la cama, los brazos crecían obstinadamente, así como las piernas, y al día siguiente tendrían otro tamaño, otra altura, nuevas dimensiones, hasta que me acostumbrase a ser grande y, conteniendo los gestos, ya no fuera más torpe e ya no vertiera cualquier otra cosa con el rozón de mi larga mano o de las piernas feas de una adolescente en expansión.

miércoles, 23 de noviembre de 2011

Vida de passarinho // Vida de pajarito

Porque o pássaro voa desde que deixou o ninho.
Mas como poderia viver assim tão sozinho?
Não sei, mas sei que parece ser livre, com suas asas soltas a voar por esse mundo de meu Deus, sem ter que ir ou chegar a qualquer lugar.
Você acredita que ele se sente livre?
Talvez nem pense nisso!
Mas será que ele pensa em alguma coisa?
Talvez no céu, no mar, no ar. No vento que sopra daqui ou de lá. Na hora de acasalar, na árvore que o vai abrigar quando o sol se põe.
Hoje eu vi um passarinho banhando-se na fonte, sacudindo a água, pulando alegre, em festa, debaixo dos raios do sol.
Hoje eu acordei bem tarde, com preguiça de levantar, com preguiça de me trocar. Tomei um banho e despertei. Me troquei e me enfeitei. Passei batom, olhei no espelho, apanhei a bolsa e saí.
Hoje eu olhei pro ninho de passarinho, e lá tinha uns pardaizinhos, acabados de nascer. Pelados que davam dó. A mãe tinha ido buscar comida, minhoca de certo, resto de algum bichinho comido, disputado por formigas famintas e vorazes.
Eu acabei de voltar do supermercado, tenho que fazer comida, já já as crianças chegam da escola. Tenho que correr, não dá mais tempo.
Adeus.
Adeus.
Os passarinhos logo vão deixar o ninho.
Os meus, um dia também.

Vida de Pajarito

Porque el pájaro vuela desde que deja el nido.
¿Pero cómo podría vivir así tan solito?
No lo sé, pero sé que parece ser libre, con sus alas sueltas a volar por ese mundo de mi Dios, sin tener que ir o llegar a cualquier lugar.
¿Tú crees que él se siente libre?
Tal vez ni piense en eso!
¿Pero será que él piensa en alguna cosa?
Tal vez en el cielo, en el mar, en el aire. En el viento que sopla de aquí o de allá. En la hora de aparear, en el árbol que lo va abrigar cuando el sol se pone.
Hoy yo vi un pajarito bañándose en la fuente, sacudiendo el agua, brincando alegre, en fiesta, debajo de los rayos del sol.
Hoy yo me desperté bien tarde, con flojera de levantarme, con flojera de cambiarme. Me bañé y entonces desperté. Me cambié y me adorné. Pasé mi labial, me mire en el espejo, agarré mi bolsa y salí.
Hoy yo mire el nido del pajarito, y allá había unos pardalitos, acabados de nacer. Desnudos que daban pena. La mama había ido buscar comida, gusano por cierto, resto de algún bichito comido, disputado por hormigas hambrientas y voraces.
Yo a penas regresé del súper, tengo que hacer la comida, en un ratito llegan los niños de la escuela. Tengo que correr, ya no me alcanza el tiempo.
Adiós.
Adiós.
Los pajaritos pronto van a dejar el nido.
Los míos, un día también.

O POETA // EL POETA

O poeta escreve com lágrimas
E sofre a dor dos feridos
Vê o mundo que ninguém vê
E sofredor
pinta o papel para aliviar sua alma.
O poeta voa e deixa um alento
aos que sonham mas não conseguem voar
O poeta é um artesão que tece palavras
no tear do seu coração.





EL  POETA 

El poeta escribe con lágrimas
Y sufre el dolor de los heridos
Ve el mundo que nadie ve
Y sufridor
Pinta el papel para aliviar su alma.
El poeta vuela y deja un aliento
A los que sueñan pero no consiguen volar
El poeta es un artesano que teje palabras
En el tejar de su corazón 

Sombra e água fresca / Sombra y agua fresca


À sombra das roseiras gigantes
Descanso meus pés cansados
O cheiro da terra doce
O frescor do capim molhado
Refrigero minha alma
reaquecendo o corpo
Entrego o coração
Voo como pássaro
com sabor de maio
com saber de vida
com amor deságuo

Sombra y agua fresca


A la sombra de las roseras gigantes
Descanso mis pies cansados
El aroma de la tierra dulce
El frescor de la hierba mojada
Refrigero mi alma
recalentando el cuerpo
Entrego el corazón
Vuelo como pájaro
con sabor de mayo
con saber de vida
con amor desaguo

Desilusão // Desilusión

Se já não fora muito saber que nada existia, restava ainda um sabor amargo, de cor amarelenta, já cansado de agonizar.
Mas, talvez, por tão doce que foi um dia, ainda exalava o perfume das rosas que velam em noite de lua os amores néscios, por mais que sejam sóbrios.
Assim, decadente em imagem e em mente, voou ao céu, sem prévio aviso, sem anúncio, sem adeus.
Foi movendo o corpo cheio, pesado em matéria, etéreo ao vento.
Calou sentimentos profundos, mas já moribundos, rebentos sem jeito, apagados com o tempo.
Dor de morte, que não tem sorte, mas tem direção. Segue a bússola, segue o norte, segue incrédulo, adiante.
Cor de outono em folhas secas. Árvores desnudas que se preparam para o longo inverno de pouca luz, mas quase terno. A seiva fria que corre ligeira pelos ramos acomodados a receber o sopro intrépido do vento que anuncia recalcitrante o frio que se aproxima, infame.

Desilusión

Si ya no fuera mucho saber que nada existía, restaba aún un sabor amargo, de color amarillento, ya cansado de agonizar.
Pero, tal vez, por tan dulce que fue un día, aún exhalaba el perfume de las rosas que velan en noche de luna los amores necios, por más que sean sobrios.
Así, decadente en imagen y en mente, voló al cielo, sin previo aviso, sin anuncio, sin adiós.
Fue moviendo el cuerpo lleno, pesado en materia, etéreo al viento.
Calló sentimientos profundos, pero ya moribundos, nacidos sin gracia, apagados con el tiempo.
Dolor de muerte, que no tiene suerte, pero tiene dirección. Sigue la brújula, sigue el norte, sigue incrédulo, adelante.
Color de otoño en hojas secas. Árboles desnudos que se preparan para el largo invierno de poca luz, pero casi tierno. La savia fría que corre ligera por los ramos acomodados a recibir el soplo intrépido del viento que anuncia recalcitrante el frío que se acerca, infame.

Infância Distante // Niñez Distante

Las flores que encheram minhas narinas de sabores e encantos. Sementes da minha infância.
As baforadas quentes do vento, do cheiro da manga rosa, Bourbon, espada.
A babosa fibrosa que escorria melado. Bálsamo gosmento, aloé vera que como a lesma deixava rastros no jardim. Eu os perseguia, como vigia que investiga traços, desenhos na lajota vermelhinha, cacos de ladrilhos, lampejos da memória.
Pisar em formiga, nem pensar. Desviava meus pés, mas não interrompia a trilha numerosa  que anunciava mudança; de destino, de endereço, de atitudes, de direção.
Genoveva, minha galinha de estimação, parda assanhada que me acompanhava com seus pequenos olhos o subir a laranjeira do quintal, onde armava a casa de árvore, que só existia em minha imaginação.
Flutuava em sonhos e viagens por céus escondidos, nuvens distantes, pirlimpimpins.
O medo ia embora, cordel encantado das histórias guardadas em baús sem fundo, de onde poderiam sair cobras e lagartos, ursos e coelhos, encantos e maus tratos.
Laranjas azedas, pequenas e manchadas, vendidas em caixas de papelão remontadas.
Borboletas de papel colorido, revistas reutilizadas, também voavam com alegria de viver.
Cascatas de chuvas que brotavam nas sarjetas, onde refestelavam em rodopios as gargalhadas.
Negrinho da noite, betz, e pega-pega. Patinete, bicicleta e guerra de mamonas. Bolinhas verdes que pintavam de vermelho a pele e a carne de dor.
Memórias sacudidas, sem medida. Lembranças felizes de um mundo distante, sem fim.
Saudades de mim.

Niñez Distante

Las flores que llenaban mis narices de sabores y encantos. Semillas de  mi niñez.
Las inhalaciones calientes del viento, del aroma del mango rosa, Bourbon, espada.
El maguey fibroso que escurría melado. Bálsamo pegajoso, aloe vera que como la babosa dejaba rastros en el jardín. Yo los perseguía, como vigia que investiga trazos, dibujos en el azulejo rojillo, fragmentos de ladrillos, parpadeos de la memoria.
Pisar en hormiga, ni pensar. Desviaba mis pies, pero no interrumpía el camino numeroso  que anunciaba mudanza: de destino, de dirección, de actitudes.
Genoveva, mi mascota gallina, marrón coqueta que me acompañaba con sus pequeños ojos el subir a la naranjera del fondo de la casa, donde armaba la casa de árbol, que solo existía en mi imaginación.
Fluctuaba en sueños y viajes por cielos escondidos, nubes distantes, pirlimpimpins.
El miedo se iba, cordel encantado de las historias guardadas en baúles sin fondo, de donde podrían salir víboras y lagartos, osos y conejos, encantos y malos tratos.
Naranjas ácidas, pequeñas y manchadas, vendidas en cajas de papel cartón remontadas.
Mariposas de papel de color, revistas reutilizadas, también volaban con alegría de vivir.
Cascadas de lluvias que brotaban en las aceras, donde refistoleaban en giros las carcajadas.
Negrito de la noche, betz, y  las traes. Patines, bicicleta y guerra de mamonas. Bolitas verdes que pintaban de rojo la piel y la carne de dolor.
Memorias sacudidas, sin medida. Recuerdos felices de un mundo distante, sin fin.
Saudades de mí.

Era um dragão // Era un dragón

O dragão apareceu no alto, asas abertas e fogo na boca.
Voava e sobrevoava o azul do céu, borrado de nuvens escuras que se esfumaçavam na força do vento que o gigante alado movia.
Com a língua de serpente transformada, megametamorfose perdida no tempo, transcende o horizonte e procura lugar para o pouso.
O peso de sua massa convertido em ar comprimido, atravessa a atmosfera sem que lhe importe a vida que corre abaixo entre ruas, edifícios, pontes, cidades.
O dragão vem e vai. Faz rasantes assustadoras e volta a subir até o ponto mais alto do céu e se faz diminuto, quase invisível, já longe dos olhos e do medo.
Dilui-se outra vez no espaço etéreo de nuvens diversas, formatos de vida, imaginação e diversão, enquanto o tempo passa e repassa aqui embaixo na terra.

Era un dragón

El dragón apareció en el alto, alas abiertas y fuego en la boca.
Volaba y sobrevolaba el azul del cielo, pintado de nubes oscuras que se esfumaban en la fuerza del viento que el gigante alado movía.
Con la lengua de serpiente trasformada, megametamorfose perdida en el tiempo, trasciende el horizonte y busca lugar para el poso.
El peso de su masa convertido en aire comprimido, atraviesa la atmósfera sin que le importe la vida que corre abajo entre calles, edificios, puentes, ciudades.
El dragón viene y va. Hace rasantes asustadoras y vuelve a subir hasta el punto más alto del cielo y se hace diminuto, case invisible, ya lejos de los ojos y del miedo.
Se dilui otra vez en el espacio etéreo de las nubes diversas, formatos de vida, imaginación y diversión, en cuanto el tiempo pasa y repasa aquí abajo en la tierra.